Em poucas palavras
O Reino Unido começou a abrigar solicitantes de refúgio em uma barca gigante em Dorset, no sul da Inglaterra. A expectativa é que até 500 homens sejam alojados na Bibby Stockholm enquanto aguardam o resultado de seus pedidos. Segundo o governo britânico, o objetivo principal é reduzir os custos associados à acomodação de refugiados.

O Reino Unido começou a abrigar solicitantes de refúgio em uma barca gigante em Dorset, no sul da Inglaterra. A expectativa é que até 500 homens sejam alojados na Bibby Stockholm enquanto aguardam o resultado de seus pedidos.
Segundo o governo britânico, o objetivo principal é reduzir os custos associados à acomodação de refugiados.
Alguns grupos de direitos humanos descreveram o esquema de abrigo como “ desumano”, mas ministros insistem que a barca é segura e economizará dinheiro público.
Quem não aceitar ser abrigado na barca não terá direito à acomodação alternativa, informaram fontes do governo britânico.
Onde está localizada a Bibby Stockholm?
A barca está no porto de Portland, em uma península no sul da cidade de Dorset, no sul da Inglaterra, um destino de cruzeiros e navios cargueiros.
Ela está atracada no mesmo local que um navio-prisão, usado para aliviar a superlotação carcerária por nove anos, até 2006.
Houve significativa oposição à iniciativa do governo britânico, devido a preocupações com o bem-estar dos solicitantes de refúgio, bem como o potencial impacto nos serviços locais.
Mas alguns moradores estão determinados a acolhê-los e criaram um grupo de apoio local.
Os primeiros a embarcar receberam kits financiados por meio de doações de moradores locais e montados por voluntários do grupo.
Os kits incluem produtos de higiene pessoal, além de um mapa da região, cadernos, canetas e o número de telefone do grupo de voluntários.
Jornalistas foram autorizados a fazer uma visita guiada pela Bibby Stockholm, antes que os primeiros ocupantes chegassem.
Corredores longos e confusos levam a cabines relativamente espaçosas, que incluem mesa, guarda-roupa, cofre, TV e janelas grandes.
Cada quarto tem um banheiro privativo com chuveiro e existem comodidades adicionais em cada um dos três andares.
Originalmente a barca tinha 222 cabines, que vão acomodar agora 506 ocupantes.
Isso só se tornou possível porque foram colocadas beliches em cada quarto.
Há uma sala de TV com telão e sofás, uma sala de oração ecumênica e uma sala de estudo que pode ser utilizada para reuniões e atividades.
Alguns outros espaços comuns foram convertidos em dormitórios extras para quatro a seis homens — mas jornalistas não tiveram permissão para vê-los.
O refeitório é grande, com um longo balcão para comida e mesas de seis cadeiras dispostas em fileiras.
No dia da visita da imprensa, o cardápio incluía ovos e panquecas no café da manhã, sopa de batata e ensopado de carne no jantar.
Segundo as autoridades, ele mudará regularmente e atenderá às necessidades individuais e aos requisitos religiosos.
Há um ginásio e um espaço de lazer ao ar livre nos dois pátios no centro da barca.
Os ocupantes também terão acesso ao cais, numa área cercada — segundo as autoridades, isso é para garantir a segurança do porto, que também recebe cruzeiros, navios cargueiros e embarcações da Marinha.
Também haverá segurança 24 horas por dia, 7 dias por semana a bordo.
Os solicitantes de refúgio receberão cartões de identificação e terão que passar por controles de segurança semelhante aos de aeroportos para entrar e sair da embarcação.
Por motivos de segurança, eles serão aconselhados a pegar um ônibus que os levará até a saída do porto e, em seguida, usar outros ônibus de hora em hora, entre 9h e 23h, para ir a Portland ou Weymouth.
Não há toque de recolher, mas se eles não voltarem, haverá um “ telefonema de bem-estar” para verificar se estão bem.
Estão previstas excursões, assim como atividades esportivas, caminhadas guiadas e visitas a fazendas, além da oportunidade de ajudar a comunidade local.
Os homens receberão atendimento médico na barca ou remotamente, por parte de uma equipe de profissionais de saúde, em meio a preocupações da comunidade local sobre o impacto que mais pessoas teriam na infraestrutura hospitalar da região.
Segundo jornalista Dan Johnson, o governo “ claramente quer mostrar que essa acomodação não é cruel ou desumana”, apesar de o Ministério do Interior sempre tê-la descrito como “ básica e funcional”.
“ Certamente não tem o esplendor de um transatlântico — não há uma grande escadaria, belas obras de arte ou esculturas. As escadas parecem bastante industriais”, diz Johnson.
“ Mas parece razoavelmente confortável”, acrescenta.
Alguns dos jornalistas que participaram da vista afirmaram que o padrão é melhor do que alguns dos hotéis que atualmente abrigam solicitantes de refúgio.
No entanto, a visita dos profissionais de mídia durou apenas uma hora.
Segundo o governo britânico, alguns homens podem ficar a bordo por até nove meses. E quando a barca estiver lotada, as condições de vida dos ocupantes podem mudar.
O governo diz gastar atualmente 6 milhões de libras (R$ 37,5 milhões) por dia abrigando mais de 50 mil migrantes em hotéis.
O Ministério do Interior diz que, até o outono, pretende alojar cerca de 3 mil solicitantes de refúgio em lugares que não sejam hotéis — como a barca e as antigas instalações militares de Wethersfield e Scampton, nos condados de Essex e Lincolnshire, respectivamente.
O ministro da Imigração, Robert Jenrick, disse que o governo foi “ claro que aqueles que chegam ao Reino Unido ilegalmente não devem ser alojados em hotéis caros”.
“ Nosso uso de locais de acomodação alternativos e embarcações fornece padrões básicos e apropriados para chegadas de migrantes em pequenos barcos enquanto suas solicitações (de refúgio) são analisadas”, disse ele.
Fonte: BBC News



